Eficiência energética

Por Raquel Santos
Bióloga marinha, especialista em Gestão Ambiental 

Rumores sobre a possibilidade de um novo racionamento de energia deixaram a presidente Dilma irritada. Parece que o atual governo teme e muito uma possível comparação ao governo de Fernando Henrique Cardoso quando o assunto é racionamento. Mesmo com os reservatórios das hidrelétricas a níveis baixíssimos, em momento algum a redução do consumo ou até mesmo o uso racional de energia foi colocado em questão. Medidas simples para evitar desperdícios poderiam ser sugeridas, mas devido a conflitos, interesses políticos e à pretensão na reeleição, outras medidas foram tomadas inclusive pela preocupação de uma possível associação entre o momento atual e o ano de 2001, em que foi implantado o racionamento de energia elétrica no Brasil, bastante criticado pelo governo atual.

Energia_Eolica_Google

Em decorrência da falta de chuvas no final do ano passado e início deste ano, as hidrelétricas no país operavam com reservatórios a níveis críticos. Dessa forma, foram acionadas usinas termelétricas movidas a óleo, carvão mineral e gás natural para a produção em capacidade máxima, que são mais caras, além de altamente poluentes. Esse fato ratifica nossa extrema dependência em relação a combustíveis fósseis para a produção de energia elétrica mesmo diante de uma crise ambiental sem precedentes.

Fontes de energias renováveis, consideradas alternativas, poderiam ser utilizadas em maior escala. A energia solar e a energia eólica são consideradas intermitentes e por muitas vezes a eficiência é criticada porque dependem do sol e do vento respectivamente, porém, acabamos de observar a também intermitência das usinas hidrelétricas que dependem do regime hidrológico (das chuvas), sem citar os diversos impactos socioambientais, e ainda assim, estes empreendimentos contam com generosos incentivos e empréstimos, dinheiro do contribuinte.

Antes mesmo de estimular esse tipo de empreendimento, o governo deveria controlar ou reduzir a quantidade de energia desperdiçada durante a transmissão até os centros de consumo. De acordo com o relatório “O Setor Elétrico Brasileiro e a Sustentabilidade no Século 21: Oportunidades e Desafios”, as perdas de energia chegam a 20 % no sistema de transmissão de energia elétrica e provocam impacto direto no aumento da tarifa do consumidor.

O Brasil precisa aproveitar melhor o potencial de fontes renováveis como eólica, solar e biomassa. Como exemplo, a energia eólica proveniente dos ventos poderia contribuir significativamente para a produção de energia, principalmente em épocas de poucas chuvas. A maioria dos parques eólicos no país está instalada na Região Nordeste, e 26 novos empreendimentos nessa região estão prontos para produzir energia, mas não funcionam, pois faltam linhas de transmissão que transportarão o que é produzido nesses parques até o sistema nacional de distribuição de energia elétrica.

Como temos visto, há alternativas suficientes e eficientes para a produção de energia elétrica no país, porém, com a ascensão desse novo setor das renováveis, a produção, o consumo e a dependência dos combustíveis fósseis só diminuem. Com a diminuição da geração dos gases de efeito estufa através da queima desses combustíveis, só tende a melhorar a qualidade de vida e saúde da população, diminuir a contribuição para o aquecimento global e consequentemente para as mudanças climáticas. Porém, nada disso é interessante para o lobby do petróleo. Precisamos estar atentos para identificar o que é desenvolvimento e progresso para o país e o que é apenas interesse para alguns.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s